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sexta-feira, 21 de maio de 2010

De Beckett

"Na impossibilidade que me encontro de testemunhar no processo de Fernando Arrabal, escrevo esta carta na esperança de que possa ser levada ao conhecimento da Corte sensibilizando-a ao excepcional valor humano e artístico daquele que ela vai julgar. Julgará um escritor espanhol que, no curto espaço de dez anos, alcançou o primeiro patamar dos dramaturgos de hoje, devido a um talento profundamente espanhol.

Todos os lugares onde são encenadas suas peças - e suas peças são encenadas em todos os lugares - lá está a Espanha. É sobre este passado admirável que convido a Corte a refletir antes de aplicar a sentença. E, ainda, Arrabal é jovem. Ele é frágil física e mentalmente.

Ele sofrerá ainda muito para nos dar o que tem ainda a nos dar. Aplicar-lhe a pena pedida pela acusação, não é apenas punir um homem, é comprometer toda um obra que está para nascer. Se há culpa, que ela seja vista à luz do mérito de ontem e da grande promessa de amanhã, e portanto, perdoada. Que Fernando Arrabal seja entregue a sua própria pena.


[14 de agosto de 1967.]


[...]


Samuel Beckett"


Em: http://raulherrero.blogia.com/2009/092801-beckett-articulo-de-fernando-arrabal-publicado-en-la-revista-l-atelier-du-roman-.php

Tradução: Marcelle Pamponet

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